O socialista Miguel Freitas, relator do parecer sobre a proposta governamental para criar uma bolsa de terras na comissão parlamentar de Agricultura, considera que esta é "um bom instrumento", mas defende que algumas ideias "precisam de ser bem esclarecidas".."A bolsa de terras é um bom instrumento em matéria de reestruturação fiduciária. O que nos parece é que há ideias que precisam de ser esclarecidas", disse o deputado..Miguel Freitas falava à Agência .O Executivo PSD/CDS-PP propõe a criação de uma bolsa de terras para fins agrícolas, florestais e silvo pastoris e que irá integrar terras do Estado, terras de particulares, terras que estão sem uso agrícola e não têm dono conhecido, ou seja, que são "terras abandonadas", e baldios..Para o deputado socialista, uma das ideias que precisa de ser esclarecida é a de "terra abandonada".."Apesar das declarações da ministra [da Agricultura], a lei diz que terras abandonadas há mais de 10 anos podem ser expropriadas. O conceito de abandono não está definido [nesta proposta]", afirmou..Miguel Freitas disse ainda que a proposta do Governo para a criação da bolsa de terras parece ter sido "apressada no sentido de se desfazer das terras públicas, da sua entrega a qualquer preço", mas "mais contida nas questões relacionadas com a propriedade privada"..O deputado do PS considera também que se está a "fazer muito barulho" com uma lei que vai ter "pouca eficácia" porque o Governo remete o conceito de abandono e os estímulos para que sejam colocadas terras na bolsa para o futuro.."Os benefícios fiscais são remetidos para lá de 2013", afirmou..Na comissão parlamentar, o deputado propôs a criação de um grupo de trabalho que irá reunir o conjunto de todas as propostas que existem nesta matéria para "se encontrar uma boa lei fiduciária"..A proposta de lei da bolsa de terras vai ser debatida no plenário da Assembleia da República na próxima quinta-feira.